IA no Turismo: o que muda para o profissional de viagens?

IA no Turismo: o que muda para o profissional de viagens?

📅 Publicado em 29/09/2026
📖 1303 palavras
⏱️ 7 min leitura

A inteligência artificial já entrou na rotina do setor. A próxima etapa será descobrir como combinar tecnologia, conhecimento e relacionamento humano.

Durante muito tempo, falar em inteligência artificial no Turismo parecia falar de um futuro distante.
Esse futuro chegou.

Em 2026, a IA já participa de diferentes etapas da jornada de viagem: pesquisa de destinos, inspiração, comparação de opções, criação de roteiros, atendimento e apoio à venda.

Mas existe uma pergunta mais interessante do que saber se a inteligência artificial vai transformar o Turismo: como o profissional de Turismo vai se transformar com ela?

A IA deixou de ser novidade e a mudança já aparece nos números.

Segundo a Phocuswright, 83% das empresas de Turismo pesquisadas utilizam inteligência artificial generativa de alguma forma, enquanto 61% dos executivos consultados afirmam estar experimentando ou ampliando o uso de IA agentiva — sistemas capazes de realizar tarefas, e não apenas gerar respostas.

Isso representa uma mudança importante.

A primeira geração de ferramentas de IA ajudava a responder perguntas e produzir conteúdo.

A nova geração começa a participar de processos: pesquisar, comparar, organizar informações e, em determinadas aplicações, executar etapas de uma tarefa.

Para o Turismo, as possibilidades são amplas.

O agente de viagens também está usando IA
A transformação não acontece apenas do lado do viajante.

Um estudo global da Amadeus, divulgado em setembro de 2026 e realizado com mais de 750 profissionais de venda de viagens, mostra que mais de três em cada quatro agentes já utilizam IA como parte de suas ferramentas de trabalho. Entre os usos estão pesquisa de opções, comparação de conteúdo, recomendações e ganho de produtividade.

A discussão, portanto, começa a mudar.

Talvez a pergunta não seja:

IA ou agente de viagens?
Mas:

Agente de viagens com ou sem IA?
A tecnologia pode assumir parte das tarefas operacionais e permitir que o profissional dedique mais tempo àquilo que exige experiência, interpretação e relacionamento.

O viajante também está mudando
Do outro lado da relação, o comportamento do consumidor também está evoluindo.

Uma pesquisa da Booking.com mostra que 63% dos brasileiros entrevistados utilizaram IA no planejamento ou durante viagens em 2025. Para 2026, 80% afirmaram que pretendiam utilizar a tecnologia.

Mas o uso ainda acontece principalmente como apoio.

Entre os brasileiros que utilizaram IA em viagens, 44% recorreram à tecnologia para sugestões de atividades e restaurantes, 36% para preparação da viagem e 34% para comparar opções de viagem ou buscar hospedagem. Apenas 18% afirmaram ter utilizado IA para realizar reservas.

Ou seja: a tecnologia já ajuda a pesquisar, mas ainda não substituiu a decisão humana.

Informação não é a mesma coisa que confiança
Esse talvez seja um dos pontos mais importantes dessa transformação.

Uma inteligência artificial pode montar rapidamente um roteiro para uma família que pretende viajar.

Mas algumas perguntas continuam dependendo de contexto:

Esse hotel realmente é adequado para essa família?

Essa tarifa é realmente vantajosa?

Esse roteiro faz sentido para esse perfil de viajante?

Quem estará disponível se alguma coisa der errado?

Pesquisa da Expedia Group com mais de 5.700 adultos nos Estados Unidos, Reino Unido e Índia encontrou um dado significativo: 68% preferem reservar com uma marca de viagens em que confiam, mesmo quando uma opção de reserva por IA está disponível. Além disso, 66% disseram que não confiariam em um assistente de IA para comprar ou reservar algo em seu nome.

A tecnologia pode facilitar a descoberta.

A confiança continua sendo construída por pessoas, empresas, experiência e relacionamento.

O novo diferencial pode ser saber fazer as perguntas certas
O profissional de Turismo não precisa competir com a IA pela quantidade de informação que consegue produzir.

Pode utilizar a tecnologia justamente para processar informações e concentrar seu trabalho na interpretação.

Isso exige novas competências:

saber utilizar ferramentas de IA;
verificar informações;
identificar erros e inconsistências;
formular boas perguntas;
interpretar dados;
personalizar recomendações;
proteger informações dos clientes;
manter supervisão humana sobre decisões importantes.
A própria evolução da IA no Turismo aponta nessa direção. A Phocuswright descreve 2026 como um momento de transição da experimentação para a execução, com empresas começando a incorporar sistemas de IA aos processos reais de negócio.

E o relacionamento entre profissionais?
Existe ainda outra dimensão dessa transformação: as conexões dentro do próprio mercado de Turismo.

Em um ambiente onde a informação se torna cada vez mais abundante, saber quem procurar também passa a ter valor.

Encontrar um profissional especializado em determinado destino.

Identificar um receptivo.

Localizar um representante comercial.

Conhecer uma agência que atua em determinado mercado.

Encontrar um fornecedor ou parceiro adequado para uma determinada necessidade.

A tecnologia pode ajudar a organizar essas informações.

Mas são as pessoas que formam a rede profissional.

É justamente nesse contexto que se insere a LocMee, plataforma criada para facilitar a conexão entre profissionais e empresas do Turismo, tornando mais simples encontrar quem atua no mercado e ampliar as possibilidades de relacionamento profissional.

Não se trata de substituir o relacionamento humano pela tecnologia.

É usar a tecnologia para facilitar que as pessoas certas se encontrem.

O Turismo não precisa escolher entre tecnologia e pessoas
A transformação provocada pela inteligência artificial não precisa ser encarada como uma substituição simples.

Ela pode representar uma nova divisão de trabalho.

A tecnologia pode pesquisar.
O profissional pode interpretar.

A tecnologia pode comparar.
O profissional pode recomendar.

A tecnologia pode automatizar tarefas.
O profissional pode construir relacionamentos.

Essa combinação pode tornar o atendimento mais rápido, personalizado e eficiente.

Mas existe uma condição:

A tecnologia precisa estar a serviço do profissional — e não o contrário.
O próximo capítulo
A inteligência artificial já entrou no Turismo.

Agora começa uma etapa mais importante: aprender a utilizá-la de maneira prática, responsável e inteligente.

Para o profissional de Turismo, talvez a pergunta mais produtiva não seja:

"A IA vai substituir meu trabalho?"
Mas:

"O que eu consigo fazer melhor se tiver a IA trabalhando comigo?"
O futuro do Turismo provavelmente não será simplesmente humano ou tecnológico.

Será a combinação dos dois.

Porque, em um setor construído sobre destinos, produtos, experiências e negócios, uma coisa continua essencial:

pessoas conectando pessoas.
E isso também é Turismo.

 Materia gerada com participação de IA
Fontes consultadas
Amadeus — Global Travel Agent Report 2026
Phocuswright — Travel Innovation and Technology Trends 2026
Booking.com — adoção de IA por viajant

1